Proposta que Eleva Teto de Faturamento do MEI e do Simples Nacional deve avançar ainda em julho: O que muda para o seu Bar ou Restaurante?

Introdução

Se você é dono de um bar, restaurante, lanchonete ou delivery, provavelmente já teve a seguinte preocupação: “Se o meu negócio vender muito neste mês, será que vou estourar o limite do Simples Nacional ou do MEI?”. Essa é uma dor constante no setor de alimentação fora do lar. O medo do chamado “abismo tributário” faz com que muitos empreendedores segurem o próprio crescimento para evitar uma carga de impostos brutal. Mas a boa notícia é que esse cenário está prestes a mudar, e a proposta que eleva o teto de faturamento do MEI e do Simples Nacional deve avançar ainda em julho na Câmara dos Deputados.

Há anos sem uma atualização justa baseada na inflação, os limites atuais acabaram se tornando uma trava para o empreendedorismo brasileiro. Com os custos dos insumos alimentícios subindo, faturar mais não significa necessariamente lucrar mais. É por isso que a revisão desses tetos é tão aguardada pelo setor gastronômico.

Neste artigo completo, nós, da Chattar Contabilidade – especialistas no seu segmento –, vamos desvendar todos os detalhes sobre essa mudança e como você pode preparar o caixa e o planejamento do seu bar ou restaurante.

O que é a Proposta de Elevação do Teto?

A base dessa discussão está centrada, principalmente, no Projeto de Lei Complementar (PLP) 108/2021 e em outras propostas conjuntas que tramitam no Congresso Nacional. A ideia central é fazer uma correção dos limites de enquadramento das empresas.

Para entender o tamanho da defasagem: o limite do MEI (Microempreendedor Individual) está congelado em R$ 81.000,00 anuais desde 2018. Se considerarmos a inflação acumulada de lá para cá (que impactou fortemente o preço da carne, das bebidas, do aluguel e da energia), esse valor perdeu muito o seu poder de compra. A proposta visa corrigir essa distorção para que o micro e pequeno empresário tenha fôlego para trabalhar na formalidade. 

O relator da proposta na comissão especial da Câmara pretende apresentar um parecer até meados de julho, antes do recesso parlamentar, buscando um consenso com o governo federal. 

Como funcionam os limites atuais?

Antes de falarmos do que vai mudar, precisamos recapitular as regras do jogo de hoje. Atualmente, os limites de faturamento anual são:

  • MEI (Microempreendedor Individual): R$ 1.000,00 por ano (média de R$ 6.750,00 por mês).
  • ME (Microempresa): Até R$ 360.000,00 por ano.
  • EPP (Empresa de Pequeno Porte): De R$ 360.000 até R$ 4.800.000,00 por ano.

Para um restaurante de pequeno porte, faturar 6.750,00 por mês (limite do MEI) é algo que pode ser ultrapassado rapidamente apenas vendendo almoços executivos e vendendo algumas bebidas. Logo, a empresa é obrigada a migrar para os status de me (Microempresa)pagando alíquotas maiores no Simples Nacional .E para um embarque começar a fazer sucesso, fatura acima de 4,8 milhões no ano obriga a saída do Simples Nacional para o Lucro Presumido ou Lucro Real, o que exige uma gestão contábil extremamente rigorosa e, muitas vezes, impostos significativamente maiores.

Quais são os novos valores propostos?

Embora o texto final ainda possa sofrer ajustes de negociação entre a Câmara e o Ministério da Fazenda, os valores que estão na mesa e têm grandes chances de aprovação para entrar em vigor a partir de 2027 são animadores: 

  • Para o MEI: O teto passaria dos atuais R$ 81mil para algo entre R$ 130 mil e R$ 144,9mil por ano (algumas projeções apontam R$ 132 mil como valor de consenso). Isso daria uma média mensal de R$ 11.000,00 a R$ 12.000,00. Além disso, discute-se a possibilidade de o MEI contratar até dois funcionários (hoje o limite é um). Para um pequeno quiosque ou carrinho de lanches, ter um ajudante extra de forma legalizada muda tudo.
  • Para as Microempresas (ME): O teto anual subiria dos atuais R$ 360 mil para cerca de R$ 869.000,00 a R$ 1,2 milhão.
  • Para Empresas de Pequeno Porte (EPP): O limite máximo do Simples Nacional saltaria de R$ 4,8 milhões para um teto entre R$ 8 milhões e R8,6 milhões, havendo propostas ainda mais arrojadas entre R$ 12 milhões com regras de transição.

O Impacto Direto para Bares e Restaurantes

Por que essa mudança muda o jogo especificamente para o setor de alimentação (bares, restaurantes, pizzarias e hamburguerias)?

1. Margem de lucro x Faturamento Bruto
O setor de gastronomia possui uma particularidade: o volume de vendas (faturamento) costuma ser alto, mas as margens de lucro líquido são tradicionalmente apertadas (variando de 10% a 20%, dependendo da eficiência da operação). Portanto, um bar pode faturar R$ 500 mil no ano facilmente, mas o lucro real que vai para o bolso do dono é muito menor. Com limites congelados, o dono do restaurante paga imposto sobre um faturamento “inflado” pelo custo da mercadoria, correndo o risco de ser expulso do Simples Nacional precocemente. Aumentar o teto corrige essa injustiça.

2. Contratação de Pessoal
Bares e restaurantes dependem de pessoas. Garçons, cozinheiros, auxiliares de limpeza, caixas. A proposta que permite ao MEI contratar até dois funcionários vai ajudar a formalizar milhares de atendentes e auxiliares de cozinha que hoje trabalham na informalidade, reduzindo o risco de passivos trabalhistas para o pequeno empreendedor.

3. Planejamento para o fim de ano e altas temporadas
Muitos donos de bares enfrentam um dilema no verão ou no final do ano: o movimento aumenta absurdamente. Se venderem tudo o que podem, estouram o teto do Simples. Com limites de até R$ 8 milhões (ou mais) para EPPs, o empresário poderá fazer campanhas de marketing agressivas, expandir o salão e vender muito mais pelo iFood, sem o temor de acordar no dia seguinte enquadrado no Lucro Presumido sem estar estruturado para isso.

Cuidados para não estourar o limite atual enquanto a lei não muda

Atenção: A aprovação da proposta não significa que você já pode relaxar. A expectativa é que as novas regras só tenham validade financeira e fiscal a partir de 2027. Até lá, as regras atuais seguem firmes e fortes.

Se o seu bar ou restaurante está operando no limite hoje, aqui vão algumas dicas de sobrevivência fiscal:

  • Acompanhe o faturamento mensalmente: Não deixe para olhar as contas só em dezembro. Com a ajuda de uma contabilidade consultiva, faça projeções trimestrais.
  • Gestão de custos e mix de produtos: Se você está perto do limite, avalie se vale a pena manter no cardápio produtos de alto custo e margem baixíssima que só inflam o faturamento bruto, mas não trazem dinheiro para o caixa.
  • Planejamento Tributário: Talvez, para o tamanho atual do seu restaurante, o Lucro Presumido ou Real já seja mais vantajoso do que o Simples Nacional, dependendo do volume de compras com notas fiscais e créditos de impostos.

A Reforma Tributária e o Simples Nacional: O que mais esperar?

Vale lembrar que essa atualização dos tetos corre em paralelo à grande Reforma Tributária que o Brasil está implementando (que unifica PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS no CBS e IBS).

Para as empresas do Simples Nacional, haverá a opção de um “regime híbrido”. O que isso significa para o seu restaurante? Você poderá optar por continuar pagando os impostos em guia única (como é hoje), mas não repassará créditos tributários integrais para seus clientes (o que não afeta restaurantes, pois vendem para o consumidor final, pessoa física). O cenário para o setor de alimentação no Simples Nacional tende a continuar focado na simplificação, e a elevação do teto fará com que essa simplificação abrace restaurantes cada vez maiores.

Como a Chattar Contabilidade pode te ajudar

É aqui que a teoria vira prática. Entender as leis é importante, mas aplicá-las para fazer o seu bar ou restaurante economizar dinheiro de forma legal exige especialistas. É exatamente isso que fazemos.

Como a Chattar Contabilidade pode te ajudar: Somos uma contabilidade focada exclusivamente nas necessidades e dores de bares e restaurantes. Nós não apenas emitimos guias de impostos; nós analisamos o seu faturamento, o seu cardápio, a sua folha de pagamento (desde os garçons até o chef de cozinha) e cruzamos tudo com a legislação vigente. Se a nova lei do aumento do teto for aprovada, nós faremos o cálculo exato para saber se a sua empresa deve se manter no Simples, migrar para outra faixa ou como aproveitar as novas margens para legalizar seus funcionários sem dor de cabeça. Nós blindamos o seu estabelecimento contra multas da Receita Federal e autuações trabalhistas, garantindo que você tenha paz para focar no que realmente importa: a experiência do seu cliente e a qualidade da sua comida.

Conclusão

A possível elevação do teto do faturamento do MEI e do Simples Nacional não é apenas uma mudança de números em Brasília; é uma injeção de ânimo no setor de bares e restaurantes. Significa a liberdade para crescer, vender mais, abrir novas filiais e contratar mais pessoas sem ser penalizado por um sistema tributário desatualizado.

Julho será um mês decisivo na Câmara dos Deputados. Enquanto os parlamentares debatem o PLP 108/2021, a sua obrigação como empresário é ter a casa organizada. E para isso, você não precisa e nem deve estar sozinho.

Se o seu faturamento está subindo e as dúvidas tributárias também, a hora de agir é agora. Terceirize essa preocupação com quem entende do ramo alimentício.

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